Como relatei no último post, o almoço do sábado, 28 de outubro, com os blogueiros de viagem que participaram do Pocando no ES foi no restaurante Maresias, em Manguinhos. De lá, fomos para Nova Almeida, um destino que não é desconhecido para mim. Afinal, tenho parentes lá. Na minha adolescência, o balneário era destino certo principalmente no carnaval.

Um dos lugares que conhecemos foi a igreja e residência dos Reis Magos, que já tinha visitado outras muitas vezes. Entretanto, dessa vez foi diferente. Adentrei espaços que eu desconhecia e pude me informar a respeito de sua história, o que deixou esse ponto turístico ainda mais interessante para mim. Depois fomos para o Tradicional Quindim de Nova Almeida e para o Domingos Sorvetes. Primeiro vou relatar a parte do turismo religioso.

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Fachada da Igreja e Residência dos Reis Magos

Entramos primeiro na igreja. Segundo o guia que nos recebeu, ela é uma construção jesuítica. Ele afirma que primeiro foi construída, pelos índios, uma capela. Posteriormente, a igreja e residência, inaugurada em 1615. No altar, em estilo barroco, esculpido pelos indígenas, há uma das pinturas a óleo sobre madeira mais antigas do Brasil. Ela retrata a visita dos Reis Magos.

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Altar. Ao centro, entre as imagens de Santo Antônio e São Benedito, o quadro da visita dos Reis Magos

Ainda no altar, é visível desenhos de animais, como cobras; e plantas, esculpidos na madeira, representando a fauna e a flora. No alto, o espaço onde ficava o brasão dos Jesuítas, retirado por ocasião da expulsão desses religiosos do Brasil no século XIX.

Sala de Construção

Como falei anteriormente, a igreja eu já conhecia. Porém, não conhecia a residência. Um dos espaços que visitei nela foi a Sala de Construção, que conta com uma parte da parede original do prédio. Também há algumas telhas antigas para exposição. O guia de turismo Marcelo Ribeiro aproveitou a ocasião e explicou a origem do ditado que diz que algo mal feito é algo “feito nas coxas”. De acordo com ele, as telhas eram feitas nas coxas dos escravos. Como cada coxa tem um formato, as telhas saiam com forma e tamanho diferentes umas das outras, como as que estavam expostas na residência dos Reis Magos.

Museu

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Estandartes das bandas de congo

Também há um pequeno museu dentro da residência, com objetos domésticos antigos e enfoque nas tradições populares da Serra, como a Festa de São Benedito. Marcelo Ribeiro contou que a tradição popular conta que um navio negreiro naufragou. Para se salvar, os negros agarraram no mastro e gritaram: “valei-me, meu santo preto!”. E esse santo preto era São Benedito. Por isso, é realizada em Nova Almeida e outras localidades a Festa de São Benedito.

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Marcelo Ribeiro tocando casaca

De acordo com Marcelo, em Nova Almeida, além de São Benedito homenageia-se São Sebastião. Por isso que há dois mastros na frente da igreja dos Reis Magos. Ele explicou também o significado da casaca, um dos instrumentos musicais das bandas de congo, que acompanham a procissão em homenagem ao santo negro. A casaca, feita de madeira, tem uma cabeça. Segura-se nela e se extrai o som raspando um pedaço de madeira no corpo. De acordo com Marcelo, isso tem origem com os escravos, é como se apertasse a cabeça do senhor e machucasse sua costela.

Cadeia pública

A residência dos Reis Magos também já abrigou a Câmara Municipal e a Cadeia Pública. Uma das janelas da cadeia pública tem vista para o mar. Segundo Marcelo Ribeiro, isso fazia parte do castigo para os apenados. É que na época das grandes navegações uma das grandes maravilhas para o homem era navegar. Assim, ele ficaria da janela, atrás das grades, olhando o mar sem poder se dedicar a uma das maiores paixões da época.

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Vista para o mar, da janela da antiga cadeia pública

Atualmente, na antiga cadeia pública estão materiais arqueológicos coletados nas ações de monitoramento realizadas durante a recuperação da Praça de Reis Magos, em frente à igreja e residência. São materiais arqueológicos históricos de diversos períodos históricos, desde o século XVI, representantes das culturas portuguesa, europeia, indígena e afro, por exemplo.

Quindins e picolés

Depois da visita à igreja e residência dos Reis Magos foi a hora do passeio gastronômico. Nosso primeiro ponto de parada foi no Tradicional Quindim de Nova Almeida. Comemos um quindim tradicionalíssimo, que faz a alegria dos amante dos doces há 67 anos!

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Os famosos quindins de Nova Almeida

O quindim começou a ser vendido em 1950, na primeira padaria de Nova Almeida, de propriedade de Wilson Bandeira Chagas. O estabelecimento foi passando de geração em geração e hoje se encontra nas mãos de Vitor Garcia Chaves e Natália Garcia, que são mãe e filho.

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Natália Garcia e Vitor Garcia Chaves

Logo ao lado do Tradicional Quindim de Nova Almeida está o Domingos Sorvetes, de propriedade de Domingos Vescovi. Há 25 anos ele vende um picolé de itu que já se tornou tradicional em Nova Almeida. A mais recente novidade nessa iguaria é o picolé de itu recheado.

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Fotos: Elaine Dal Gobbo

 

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